Filosofia da Caixa Preta

 

Filosofia da Caixa Preta

Vilén Flusser não se limita à fotografia mas recorre a ela para explicar relações fundamentais entre humanos e entre humanos e aparelhos na Pós-História. Ele parte da hipótese segundo a a qual a invenção das imagens técnicas inaugurou um novo modo de ser (Pós-História) assim como a invenção da escrita inaugura a História:

 

"(...) seria possível observar duas revoluções fundamentais na estrutura da cultura, tal como se apresenta, de sua origem até hoje. A primeira ocorreu aproximadamente em meados do segundo milênio a.C., pode ser captada sob o rótulo "invenção da escrita linear" e inaugura a História propriamente dita; a segunda, que ocorre atualmente, pode ser captada sob o rótulo "invenção das imagens técnicas" e inaugura um modo de ser ainda dificilmente definível".

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Resumo do livro a Filosofia da Caixa Preta

Vive-se o apogeu da massificação fotográfica, mas, quanto mais cresce a disposição da população mundial para fotografar, mais diminui o entendimento do significado deste ato. Grande parte da humanidade sabe perfeitamente apertar botões e realizar enquadramentos, mas isto não transforma ninguém em bom leitor de imagens fotográficas. O ato de fotografar não é como o ato de escrever, que nos obriga a também saber ler. A compreensão do real estatuto da fotografia revela-se de fato difícil para o observador ingênuo, incapaz de reconhecer que imagens fotográficas são conceitos transcodificados que apenas pretendem ser “impressões automáticas” do mundo. “É tal pretensão que deve ser decifrada por quem quiser receber a verdadeira mensagem da fotografia.” (FLUSSER, 2002, p.40).
Com efeito, se é verdade que pelo controle do input e do output o fotógrafo parece dominar o aparelho, por ignorar os processos interiores ao programa, todavia, é o fotógrafo quem na verdade é dominado. Fotografar nada mais é que permutar símbolos já contidos no programa interno à “caixa preta”, ou seja, uma atividade mecânica, repetitiva e burocratizada. A ideia flusseriana do funcionário que apenas aperta botões de aparelhos já montados e programados encontra eco no pensamento de Hannah Arendt, como aponta a análise de Gustavo Bernardo (apud MENEZES 2010, p.176): Hannah Arendt, ao estudar a banalidade do mal, se perguntou como gente insignificante foi transformada pelo aparelho nazista em funcionários poderosos. Flusser tentou olhar o outro lado do problema: gente responsável e culta sendo transformada em funcionários insignificantes que promovem, sem o perceber, males gigantescos, adequados aos aparelhos agigantados que os empregam.

 

Tags: filosofia da caixa preta, livro, vilén flusser

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